sábado, 30 de junho de 2012

MEU PRIMEIRO PIRANDELLO


(Luigi Pirandello)

            Coincidentemente, ontem, graças a um “lembrete” em um e-mail que me foi enviado pela minha querida poeta Eliana Mora, fui informado que, há 145 anos, nascia Luigi Pirandello.

            (Logo, voltei ao meu pai)

            A figura do Pirandello e a paterna, em mim, se confundem.
            Ao contrário do Pirandello, meu pai tinha apenas o curso primário e, ao se casar com a minha mãe, foi incentivado por ela a crescer – e formou-se em contabilidade. Era um homem de lagrima fácil. Sensível em último grau, sequer parecia um Contador. Do quarto, na sala o espiava, concentrado, a preparar escritas para os clientes que o procuravam lá em casa.
            É claro que – como todo pai –, ele se orgulhava da minha capacidade de imitar a dramaturgia radiofônica da época. Todas as tardes, ao seu lado – e ao lado de um rádio de válvulas  enorme –, viajávamos nas aventuras de "Jerônimo, o herói do sertão".
            (Eu era craque em imitar o Moleque Saci)
            Até que um dia, quando mais taludinho, ao perceber do meu gosto pela leitura – e, logo, por livros –, ele me trouxe o primeiro volume de uma coleção da Abril Cultural, de nome Teatro Vivo. Confesso que não gostei. Também, era o “Édipo Rei”. No entanto, a partir do segundo volume, passei a exigir-lhe  que me trouxesse mais um, mais um... e mais um!...
            Vocês – por acaso – imaginam qual foi a peça que havia naquele segundo volume? - Era um Pirandello: “Seis personagens à procura de um autor”.
            Quando releio os "Seis personagens", ainda sinto que ela é uma aula de construção dramática, e que seus personagens ainda estão vivos nos teatros do século XXI.

            Obrigado Luigi Pirandello. Obrigado meu pai.

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